sexta-feira, 8 de abril de 2011

Liberais e conservadores tem estruturas cerebrais diferentes

As pessoas com inclinações políticas liberais têm cérebros estruturalmente diferentes dos conservadores, revela nesta quinta-feira um estudo divulgado na revista especializada "Current Biology".

Os liberais têm mais matéria cinzenta em uma região do cérebro associada à compreensão da complexidade, enquanto que o cérebro dos conservadores é maior na região vinculada ao processamento do medo.

Outra pesquisa mostra que há uma maior atividade cerebral nessas áreas, de acordo com a postura política da pessoa, mas se trata do primeiro estudo a mostrar uma diferença física no tamanho das mesmas regiões.

PERSONALIDADE E CÉREBRO

"Anteriormente, sabia-se que alguns traços psicológicos poderiam predizer a orientação política de um indivíduo", diz Ryota Kanai, da Universidade College London, onde a pesquisa foi realizada. "Nosso estudo agora vincula esses traços da personalidade com estruturas cerebrais específicas."

O estudo baseou-se em 90 "adultos jovens saudáveis" que classificaram sua postura política em uma escala de um a cinco, de muito liberal a muito conservador, e que depois concordaram em ter o cérebro escaneado.

As pessoas com uma amígdala cerebral maior são "mais sensíveis ao desgosto" e tendem a "responder a situações ameaçadoras com mais agressividade que os liberais, além de serem mais sensíveis a expressões faciais ameaçadoras", indica o estudo.

Os liberais, por outro lado, estão vinculados a uma região que controla a incerteza e os conflitos --o cíngulo anterior do córtex cerebral.

"Portanto, é concebível que os indivíduos dessa categoria tenham mais capacidade de tolerar a incerteza e os conflitos, o que lhes permite ter pontos de vista mais liberais."

No entanto, ainda não se sabe se as desigualdades estruturais causam as diferenças nos pontos de vista políticos ou se ocorre o contrário, ou seja, são efeitos destes últimos.

O fato é que os pontos de vista políticos parecem girar em torno da forma com a qual as pessoas reagem ao medo.

"Nossos resultados são coerentes com a proposta de que a orientação política associa-se aos processos psicológicos que controlam o medo e a incerteza", diz a pesquisa.

Fonte: Folha.com

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