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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ciência x Judiciário

Hélio Schwartsman, filósofo e articulista da Folha.

Aproveito a crisezinha no Judiciário para propor uma reflexão mais geral: o sistema de Justiça, como o concebemos e administramos, faz algum sentido? E a resposta a essa candente questão, já o antecipo, é um "sim" pontuado por muitos "nãos". Mas comecemos pelo começo.

O problema é basicamente a ciência, que não tem sido gentil com o Direito.

Praticamente todos os sistemas jurídicos do Ocidente se baseiam na capacidade dos indivíduos de decidir entre o certo e o errado, mas uma série de descobertas científicas feitas nas últimas décadas arranham bastante essa noção.

Psicólogos, por exemplo, demonstraram de inúmeras maneiras que mesmo o mais mentalmente saudável dos seres humanos pode agir como um sádico, infligindo castigos e aplicando "choques elétricos" em seus semelhantes, se for submetido a um pouco de pressão social para fazê-lo. A tese da obediência devida, em que pese minar o conceito de Bem x Mal, não era tão estapafúrdia assim.

Mesmo para os que seguem acreditando que o crime é uma questão de frutos podres, estudos psicológicos e neurocientíficos mostram que existem certos tipos de personalidade mais propensos a cometer delitos. A relação não é determinista, mas probabilística. O indivíduo que obtém uma pontuação alta nos testes para psicopatia ou não está fadado a assassinar os pais, devorar os vizinhos e disparar sua metralhadora contra criancinhas numa creche. Não obstante, encontraremos proporcionalmente mais pessoas com altos escores nas escalas de psicopatia, de personalidade narcisística ou "borderline" nas cadeias do que na população geral.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Liberais e conservadores tem estruturas cerebrais diferentes

As pessoas com inclinações políticas liberais têm cérebros estruturalmente diferentes dos conservadores, revela nesta quinta-feira um estudo divulgado na revista especializada "Current Biology".

Os liberais têm mais matéria cinzenta em uma região do cérebro associada à compreensão da complexidade, enquanto que o cérebro dos conservadores é maior na região vinculada ao processamento do medo.

Outra pesquisa mostra que há uma maior atividade cerebral nessas áreas, de acordo com a postura política da pessoa, mas se trata do primeiro estudo a mostrar uma diferença física no tamanho das mesmas regiões.

PERSONALIDADE E CÉREBRO

"Anteriormente, sabia-se que alguns traços psicológicos poderiam predizer a orientação política de um indivíduo", diz Ryota Kanai, da Universidade College London, onde a pesquisa foi realizada. "Nosso estudo agora vincula esses traços da personalidade com estruturas cerebrais específicas."

O estudo baseou-se em 90 "adultos jovens saudáveis" que classificaram sua postura política em uma escala de um a cinco, de muito liberal a muito conservador, e que depois concordaram em ter o cérebro escaneado.

As pessoas com uma amígdala cerebral maior são "mais sensíveis ao desgosto" e tendem a "responder a situações ameaçadoras com mais agressividade que os liberais, além de serem mais sensíveis a expressões faciais ameaçadoras", indica o estudo.

Os liberais, por outro lado, estão vinculados a uma região que controla a incerteza e os conflitos --o cíngulo anterior do córtex cerebral.

"Portanto, é concebível que os indivíduos dessa categoria tenham mais capacidade de tolerar a incerteza e os conflitos, o que lhes permite ter pontos de vista mais liberais."

No entanto, ainda não se sabe se as desigualdades estruturais causam as diferenças nos pontos de vista políticos ou se ocorre o contrário, ou seja, são efeitos destes últimos.

O fato é que os pontos de vista políticos parecem girar em torno da forma com a qual as pessoas reagem ao medo.

"Nossos resultados são coerentes com a proposta de que a orientação política associa-se aos processos psicológicos que controlam o medo e a incerteza", diz a pesquisa.

Fonte: Folha.com